Sonho lúcido acordado

Ele desceu do ônibus com uma convicção. Sabia onde estava, apesar de desconfiar. Mas desconfiava somente, ou mais fortemente, pelo instinto de defesa altamente desenvolvido em função da sua natural dispersão — sempre vagou — e, além disso, reconhecia-se bêbado. Nada era confuso, mas poderia ser, caso insistisse em refletir sobre a situação mais a fundo, mas sabia também que qualquer coisa poderia se tornar tão estranha quanto a maior estranheza que uma coisa pode ter, caso se mergulhe nela, então preferiu adiar as reflexões para depois de conseguir uma mesa ou para até esquecer-se disso. Esqueceu-se, perdeu-se e acordou no dia seguinte.

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