O grego Koteas

Koteas era um cara simples. Esquecia-se, invariavelmente, dos chinelos em qualquer canto da embarcação. Entrava no barco escondendo-se rapidamente em sua  cabine. Retirava do frigobar o uísque gelado, mania antiga, e bebericava sem interrogar o amanhã. Sujeito de muitos amigos, muitos cacoetes, poucas mulheres e aborrecimentos menores. O mar era para Koteas algo maior. Para todos, assim parece ser. Mas para Koteas era maior, porém simples. Difícil de explicar. Koteas ainda descasca batatas no convés, uma antiga punição dos tempos de marinheiro. Habituou-se, ainda jovem, a insubordinar-se. Lembrança dos tempos da ditadura. Fugiu, porém, manteve certas tradições. Descascar batatas deixou de ser castigo para tornar-se terapia.

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