1001/221 – Can

Can – Tago Mago (1971)

“Aumgn”, inspirada em Aleister Crowley, leva o experimentalismo ao extremo. O vocal mantra do tecladista Irmin Schmidt é envolvido por um ambiente sinistro. A faixa de encerramento, “Bring Me Coffe or Tea” é um alívio, depois de todos esses testes de resistência musical.

O Can, ao lado de grupos como Kraftwerk e Faust – que faziam uma fusão entre os primeiros experimentos eletrônicos de Stockhausen e o art rock do Velvet – mostrou que as bandas de rock da Alemanha estavam começando a achar uma identidade. Mesmo depois de 30 anos, Tago Mago soa contemporâneo e gloriosamente radical.

1001/220 – Doors

The Doors – L. A. Woman (1971)

Quando todo mundo pensava que o The Doors ia desapareder no túnel escuro e claustrofóbico de sua própria pretensão, veio L.A. Woman.

De repente, a pompa lisérgica e depressiva da banda se metamorfoseou num estilo bem-humorado, expansivo e menos intenso. A Rolling Stone afirmou: ” O the doors nunca foi tão unido, tão parecido com os Beach Boys e o Love”. Com o acréscimo de Jerry Scheff no baixo e Marc Benno na rhytm guitar, o som do grupo se tornou mais completo e preciso.

Jim Morrison tinha se transformado de um esquálido xamã do acid rock numa carismática figura bêbada e grosseira. Quando grita o refrão desafiador de “The Changeling” dá para sentir que ele ultrapassou um limite pessoal para se tornar um intérprete mais livre e menos posado.

Há um novo tom divertido no álbum. “Love her madly”, um hino à paixão obsessiva, ganha uma energia infantil, saltitante, graças ao trabalho espirituoso de Rauy Manzarek nos teclados.

1001/219 – Yes

Yes – Fragile (1971)

Embora não seja creditado, Wakeman participou quando foram gravados os movimentos doces e sinuosos dos teclados e da guitarra da extasiante ¨Roundabout¨” e os vocais oníricos e intensons de ¨Heart of the Sunrise”.

1001/218 – The Beach Boys

Beach Boys – Surfs Up (1971)

Como muitos dos álbuns dos Beach Boys, Surf’s Up não é fácil de avaliar em termos estritamentes críticos. Lançado em 1971, representava a obra de uma banda rompida por dissidências internas e pelo lento eclipse da sanidade mental de Brian Wilson.

A ambiguidade começa na primeira faixa. Assim que se descarta “Don’t Go Near The Water” como apenas um alerta ecológico, vem “Long Promised Road”, de Carl Wilson, com sua firmeza e um lindo coro, e sem qualquer ironia em suas linhas. O misticismo de ” Feel Flows” também é arrebatador.

1001/217 – John Lennon

John Lennon – Imagine – 1971

Depois das confissões existenciais de seu álbum solo de estréia, Plastic Ono Band, o ex-beatle precisava de um sopro de utopia, uma pitada de esperança. Isso, somado à variada musicalidade do disco, garantida por um elenco de estrelas – George Harrison, Klaus Voorman, Nicky Hopkins, Jim Keltner, Alan White, King Curtis e alguns integrantes do Badfinger -, fez de Imagine um enorme hit que chegou ao primeiro lugar nas paradas dos EUA e da Inglaterra, exatamente quando Lennon e Yoko Ono estavam se mudando para a América.

Imagine, produzido por Phil Spector no estúdio que Lennon havia construído em sua mansão inglesa, Tittenhurst, traz a canção pela qual o mundo se lembra da personalidade mais interessante dos Beatles, um hino à fé do homem num mundo melhor, mesmo diante de uma realidade desesperadora.

1001/216 – Rolling Stones

The Rolling Stones – Sticky Fingers (1971)

Sticky Fingers foi o primeiro LP lançado pelos Rolling Stones por seu próprio selo e o primeiro a apresentar ao mundo a famosa logomarca da língua de fora, desenhada por John Pasche – e o primeiro a chegar ao topo das paradas dos Estados Unidos e da Inglaterra ao mesmo tempo.

As raízes do álbum estão no início de 1969, quando os Stones gravaram a base musical de “Brown Sugar”, “Wild Horses” e do blues rural “You Gotta Move”, no Muscle Shoals Sound Studios. Essas faixas dão ao álbum um tom relaxado, numa mistura de blues, country e soul no estilo do Sul.

A música que abre o disco, “Brown Sugar”, gira em torno de um irresistível riff de guitarra que tornou a canção um megassucesso mundial e um item obrigatório em festas, apesar de sua letra extremamente controvertida. “Bitch” entrelaça o sax de Bobby Keyes e o trompete de Jim Price com outro emocionante riff de guitarra. O naipe de metais se destaca novamente em “I Got the Blues”, que evoca a paixão da banda pelas baladas de Otis Redding, enquanto Billy Preston acrescenta um toque de gospel com o órgão. O álbum está cheio de referências explícitas a drogas – como em “Sister Morphine”, uma parceria com Marianne Faithfull, que conta uma história sombria sobre o vício. A influência de Gram Parsons, amigo de Keith Richards, pode ser sentida nas duas canções country do álbum – a linda balada “Wild Horses” e a irônica “Dead Flowers”.

O guitarrista Mick Taylor brilha, num estilo que lembra Carlos Santana, em “Can’t You Hear Me Knocking”. “Moonlight Mile” traz um vocal emocionante de Jagger, ancorado por um generoso arranjo de cordas de Paul Buckmaster.

A capa de Andy Warhol, que mostra uma pélvis masculina envolta em jeans, vinha originalmente com um zíper, num arremate obsceno perfeito para um álbum dos Stones.

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1001/215 – The Allman Brothers Band

The Allman Brothers Band – At Fillmore East (1971)

Os Allman Brothers, liderados pelo visionário guitarrista Duane Allman e seu irmão mais novo Gregg, cantor e organista, inventaram e transcederam o rock sulista. Baseado em Macon, na Geórgia, o sexteto original contava também com o guitarrista Dicky Betts, o baixista Berry Oakley e dois bateristas, Jai Johanny Johanson e Butch Trucks. Eram famosos por suas extensas improvisações ao vivo, em que evoluiam dentro de um a mistura sinfônica de rock, blues, country, soul e jazz. Depois do fracasso dos dois primeiros discos, gravados em estúdio, a solução óbvia era um álbum ao vivo.

O repertório dos dois LPs de At Filmore East foi reunido pelo produtor Tom Dowd a partir de dois shows feitos pelo grupo em março de 1971, em Nova York. O disco começa com três versões convicentes de R&B, mas muda de rumo no lado B: uma interpretação de 19 minutos, com variações de tempo, de “You Don’t Love Me”, de Willie Cobb. Parece mais telepatia do que boogie. Se um milhão de bandas fizer um milhão de apresentações, nenhuma vai conseguir igualar a mágica interligação feita pelos Allman entre “Hot Lanta” e ” “In Memory Of Elezabeth Reed”. “Whipping Post” ocupa um lado inteiro de um dos LPs e faz a platéia vir abaixo. Com uma crescente tensão, quase física, esse lamento gótico do Sul dos Estados Unidos ganhou uma das maiores perfomances de todos os tempos na história do rock de raiz.

 Al Filmore East lançou os Allman e chegou ao 13º lugar na Bilboard, mas foi também o canto do cisne da formação clássica do grupo. Em 29 de outubro daquele ano, Duane, aos 24 anos, morreu num acidente de motocicleta a caminho da casa de Berry Oakley. Outra tragédia aconteceu no ano seguinte, em 12 de novembro, quando Oakley morreu da mesma forma e com a mesma idade, a apenas três quarteirões do local onde seu ídolo havia falecido.

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