o caos reina

Lars von Trier exorciza o Anticristo

Por: Knud Romer

A entrevista a seguir foi conduzida pelo ator Knud Romer, que participou de “Os Idiotas” de Lars von Trier em 1998. Ele conversou com o diretor em abril, quando von Trier acabava de dar os últimos retoques em “Anticristo”. O filme, que estreia no Brasil nesta sexta, 28 de agosto, rendeu a Palma de Ouro, no festival de Cannes, à atriz Charlotte Gainsbourg e passou a ser conhecido como o trabalho mais polêmico do diretor, aumentando ainda mais sua fama de cineasta ousado e sem medo de controvérsias.

“Você está parecendo um padre” von Trier disse quando nos cumprimentamos fora da sala de exibição no Filmbyen, onde eu veria seu último trabalho, “Anticristo”. “Bom, estou aqui para salvar sua alma imortal”, ironizei. 90 minutos depois eu saio do cinema profundamente abalado. Na volta para casa, o medo e a paranoia voltam com tudo quando um carro funerário passa por mim na estrada. E no dia seguinte teria que confrontar tudo isso de novo.

A tarefa de entrevistar von Trier é um pouco intimidante. Um mestre da ironia e do sarcasmo, ele consegue dominar qualquer conversa e transformar você e suas piores feridas no assunto principal. Na hora marcada para a entrevista, eu espero por ele no Filmbyen, mas a equipe me avisa que ele vai se atrasar. Acima das portas de seu escritório está escrito, em vermelho-sangue: “O caos reina”. Uma hora depois eles me avisam que von Trier quer fazer a entrevista em sua casa, vinte quilômetros ao norte dali. Estou tão nervoso que tenho medo de sair da estrada.

Aproximando da pequena estrada que leva à casa dele, ao olhar para um pequeno riacho, bato meu carro numa cerca e em algumas pedras no estacionamento de uma outra casa, antes de ouvir, finalmente, uma voz gritando de uma porta aberta: “Knud, aqui”!

Von Trier está graciosamente personificado. Sua esposa, Bente, fez waffles e chá de ervas – as duas coisas mais relaxantes do mundo. Eu aceito as duas coisas quando percebo que a entrevista vai ser no porão, em dois pufes, e que von Trier está vestindo apenas meias pretas, uma cueca preta folgada e uma camiseta preta.

De repente, já não sei mais o que vai acontecer – ainda mais porque eu pretendo discutir como, da mesma maneira que outros grandes diretores, ele continua fazendo sempre o mesmo filme, com variações diferentes e cada vez mais radicais. Claro que, no caso dele, isso é um filme sobre um cara passivo e paranoico, megalomaníaco, que está acamado (como em “Ondas do Destino”) ou enterrado vivo (como em “Anticristo”), que abusa sexualmente de uma mulher enferma, ou mentalmente doente, até a morte, com o intuito de produzir imagens de um desejo sado masoquista e satisfazer sexualmente sua condição de voyeur. Minha paranoia está fora de controle – francamente, tenho medo de ser a próxima vítima!

Eu não fui, claro. Não foi o Anticristo que eu encontrei lá no porão, mas o diretor, em seu estado mais simpático e aberto – ao ponto mesmo da quase nudez – que vive à beira do abismo, com uma consciência aguda da morte, para criar o rico visual apocalíptico que faz de o “Anticristo” uma obra-prima.

Uma hora e meia depois, eu me arrependo de não ser um entrevistador melhor. É minha primeira vez, na verdade, e falo demais. Na saída, faço algo que não se faz: abraço von Trier para demonstrar meu agradecimento. De volta ao carro, meu nervosismo e medo e minha paranoia desaparecem e dessa vez – é verdade, eu juro – ultrapasso um carro funerário no meu caminho de volta para casa.

*

Knud Romer – Você fez vários filmes conceituais, nos quais se “escondeu”. Agora, von Trier, o produtor de imagens apocalípticas está de volta. Por que você fez a primeira coisa e por que está de volta?

Lars Von Trier – É tudo imagem para mim – mesmo que haja linhas feitas à giz no chão. Mas eu (hesita), eu estava me sentindo pra baixo, deprimido – eu cheguei ao fundo do poço – e duvidei que eu fosse capaz de fazer outro filme. Porém, retornei a alguns materiais da minha juventude. Eu era muito interessado em Strindberg [um dos maiores escritores escandinavos], especialmente na pessoa dele. Ele era incrível. Então tentei fazer um filme – nunca falei sobre isso antes e é difícil colocar em palavras – no qual eu tivesse que jogar a razão para longe por um momento.

“O caos reina”.

Sim (ri). Produzi várias imagens que tentei juntar. Também, foi muito interessante fazer um filme com apenas dois personagens.

“Cenas de um Casamento” [de Ingmar Bergman, 1973]…

Sim, “Cenas de um Casamento”, mas de uma maneira um pouco diferente. Eu gosto de “Cenas de um Casamento”. Acho um grande filme.

A visão da mulher no seu filme é provavelmente mais ligada a Strindberg do que a Bergman?

Sim, e é provável que eu seja questionado sobre isso novamente, minha visão da mulher. Sempre tive uma visão romântica acerca da batalha dos sexos, sobre a qual Strindberg escrevia sempre. Continuamos a descrever as relações entre os sexos. Não sei se uma verdade inequívoca existe.

Agora, você faz “filmes de gênero” – entre muitas aspas. “Ondas do Destino” é um melodrama e “Dançando no Escuro” um musical. “Anticristo” é um suspense ou até mesmo um terror. Qual a sua relação com os gêneros cinematográficos?

O gênero é uma inspiração. A minha história é praticamente a mesma sempre. Estou bem ciente disso agora. Mas “gêneros”… Acho que nunca seguirei um a risca, pois acredito que é necessário acrescentas algo a eles. Eu gosto quando as coisas ultrapassam as fronteiras.

Alguns poderiam dizer que você – com um espírito cada vez mais transgressor – se aproxima de um dos gêneros mais tabus, a pornografia.

Bem, posso dizer que flertei com a pornografia, especialmente em “Os Idiotas”. De alguma forma, sexualidade e o gênero terror estão ligados. Mas pornografia? Não sei. É pornografia? Talvez. A pornografia sempre me incomodou e, ao mesmo tempo, eu realmente tento fazer com que meus filmes afetem as emoções do público. Não posso negar que minhas imagens são criadas com o objetivo de causar um efeito.

O filme me causou muito medo. Não lido bem com o medo, ele me assombra. Se eu tivesse que criar aquelas imagens na minha mente primeiro e depois ter que enfrentar suas expressões emocionais profundas, eu teria um ataque nervoso.

Um filme é um reflexo pálido da realidade. Se você está numa sala de cinema e chora, é uma pálida imitação de uma emoção similar que você teve na vida real. Dessa forma, um filme é sempre algo de segunda mão, uma emoção emprestada da vida real. Se alguém se assusta é porque, provavelmente, tem algum medo que pode ser extraído e usado durante uma experiência cinematográfica. Mas o cinema tem outras qualidades além de provocar emoções. “O Grito”, de Munch, por exemplo, que meu filho acabou de copiar num desenho, é uma expressão magnífica de uma emoção, mas as pessoas não saem correndo e gritando de dentro dos museus por causa do quadro.

Seus filmes são “gritos”?

Humm. “Anticristo” é o que mais se aproxima de um “grito”. Ele surgiu na minha vida em um momento em que eu me sentia muito mal. A inspiração pode ser encontrada em meu próprio medo, em minhas próprias emoções. É daí que surgem as coisas, mas a partir disso, elas se transformam em outros elementos. Não é como se acontecesse uma telepatia entre o diretor e o público. A razão pela qual o gênero terror – e eu nem estou certo de que o filme seja de terror – é interessante para mim, é porque eu gosto de fazer muitas coisas diferentes.

Para mim é um alívio ver você retornar a algo 100% romântico, simbólico e universal com reminiscências católicas, e todo esse papo – é quase pré-romântico, gótico de alguma forma, Conde Drácula.

Sim, é mesmo. Eu não consigo analisá-lo, mas visualmente, estamos no gênero romântico, sem dúvida.

Você diz que um filme não é uma cópia fiel de um pedaço da vida. A realidade de um filme de terror – uma experiência passiva e paranoica da realidade, aquela da megalomania, quando tudo gira em torno de você – indica um espectador passivo. É como medo do escuro: um estado passivo de paranoia que vemos sempre nos seus filmes, com o protagonista completamente paralisado, acamado, enterrado vivo!

(ri) Sim. Não esqueça, eu li Edgar Allan Poe. Ele mesmo era uma figura romântica.

É algo interessante os seus filmes expressarem medo do escuro, considerando que eles são feitos para a sala escura, onde o espectador está completamente vulnerável.

Uma vez pensei em fazer teatro porque achei que era possível ficar mais assustado no teatro do que no cinema. Eu estava planejando fazer uma versão de “O Exorcista” no teatro. Eu me sinto mal no cinema com facilidade, mas, no teatro, com mais facilidade ainda, porque é ao vivo. Ver uma peça é algo terrível para mim. Agora que estamos falando sobre públicos, parece que apenas uma parte muito pequena passa bem pela experiência.

De certa maneira o filme é uma terapia, mas o terapeuta no filme não tem muito o jeito de terapeuta não. Ele é praticamente um sádico, certo?

Eu tive algumas experiências com terapia cognitiva, que parece ser baseada na forma como terapeutas fazem você superar o medo de cair num abismo, por exemplo, e esse é o fim do medo. Aparentemente, é uma forma bem sucedida de terapia. Claro, depende da altura do abismo. Eles se saem muito bem com pequenos declives. Ah, eu gosto de brincar e provocar, essas coisas. Os meus protagonistas masculinos são basicamente idiotas, que não entendem nada. Em “Anticristo” também. Então, é claro que as coisas dão errado! O medo pode mudar o mundo? Eu acho que sim – ele pode.

Como o Catolicismo entrou na história? Filmes de terror antigos têm alho e crucifixo – assim como o Catolicismo. Parece haver muita bagagem católica nesse filme.

Certo. Mas eu não posso responder, porque sou um péssimo católico. Na verdade, eu nem sou religioso. Estou cada vez mais ateu.

Ainda assim, o Catolicismo é a religião favorita dos que não acreditam, porque possui muitas expressões: rituais, ornamentos e por aí vai. Isso nos leva de volta ao que conversamos sobre subverter e brincar com os gêneros cinematográficos. O Catolicismo também oferece essa possibilidade.

Sim, ele pode fascinar e atrair – pelo menos eu fui. Eu vejo muita liberdade nessa possibilidade. Para mim, o Protestantismo sempre foi a grande besta. Mas a religião em geral é uma droga. Isso eu sei bem. Eu deixo o livro do Nietzsche, “O Anticristo”, na meu criado-mudo desde os 12 anos de idade. É o grande estudo que desnuda o Cristianismo.

Engraçado você mencionar sua ideia de transformar “O Exorcista” em peça de teatro, porque o exorcismo é algo muito católico. Você está exorcizando seus próprios demônios ou demônios da vida real? A psicanálise não é uma forma de exorcismo também?

Mas esses demônios são meus amigos. Talvez seja essa a vantagem de fazer filmes: os demônios, que podem causar dor quando você os conhece, têm outros papéis. Eles se tornam seus amigos quando você os coloca em um filme. Eles se tornam parceiros, cúmplices. Talvez, Munch tenha se sentido muito bem com “O Grito”. Munch, em certo momento, veio para a Dinamarca ser curado por um Dr. Jacobsen, que tratou dois grandes artistas, Strindberg e Munch. Ambos ressurgiram totalmente transformados. Munch, definitivamente, para o pior. Munch era bem mais interessante antes de vir para a Dinamarca e passar pelo que passou. A coisa pode ir bem longe, mas pelo menos é interessante, se o que dizem for verdade: quando a loucura retrocede, a qualidade do trabalho também cai. Pode ser…

E vale o preço?

Nunca vale o preço! Eu não quero ser repetitivo, mas eu tenho me sentido muito mal!

Gostaria de conversar sobre seus atores. Como foi trabalhar com eles? Afinal você exigiu muito deles.

Trabalhei com Willem [Dafoe] antes, em “Manderlay”. Ele é um cara ótimo. Perguntou se eu tinha trabalho para ele, então escrevi dizendo que tinha esse filme, mas que minha esposa não achava que ele toparia. Acho que isso o provocou. Mas ele não tem constrangimento em mostrar seu corpo e eu nem acho que ele deveria ter. Entramos em contato com algumas atrizes que realmente não tinham coragem para o papel. Charlotte [Gainsbourg] se prontificou e leu o roteiro. Ela não teve dúvidas. Isso é a melhor coisa que pode acontecer: dois atores que estão de fato interessados em fazer o filme. E muito foi cobrado deles, então eles tinham que estar a fim. Os dois fizeram um ótimo trabalho! Nunca vi alguém trabalhar tão intensamente quanto Charlotte. O roteiro dela está cheio de notas que, ainda bem, ela não quis mostrar para ninguém. Muito, muito dedicada.

Há um certo pudor em relação aos órgãos genitais.

Eu prefiro pensar que tenho um público que aprecia quando as coisas são mostradas.

Você acredita que as crueldades nesse filme, a manifestação extremada, terão algum efeito sobre quem assistir ao filme – ou seja, interferir na recepção?

Não faço ideia. Eu quero que as pessoas vejam o filme, claro. Uma carreira é como uma série de perguntas para um certo grupo. Se eles acompanham toda a jornada, eles são “minha” gente. Mas, acima de tudo, eu quero que o filme encontre seu público.

Nicole Kidman chegou a perguntar em algum momento porque “você é tão mau com as mulheres”? Acima de qualquer coisa, Strindberg era conhecido por sua misoginia. Eu sei que você não detesta as mulheres. Mas você não tem medo de ser cobrado ao levar a misoginia ao extremo? A sexualidade feminina como o mal. Como a serpente no Paraíso, que merece ser punida. Isso é tudo uma brincadeira romântica?

Acabei de ver um documentário sobre caça às bruxas. Diga o que quiser, mas essa história é incrível. É um material excelente. Eu não acredito em bruxas. Não acredito que mulheres ou sua sexualidade sejam o mal, mas é assustador. É importante ter liberdade quando está fazendo um filme. Minha mãe era uma defensora ferrenha dos direitos da mulher. Não acho que mulheres devam ser subjugadas, ainda mais com violência. É claro que sou contra isso. A caça às bruxas era algo realmente horrível. Mas a imagem da bruxa tem tantos pontos de fascínio que – porque eu deixei esse filme surgir para mim, ao invés de pensá-lo – o que acabou indo parar no filme tende ao exagero. Porém, me chamar de misógino é equivocado.

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Dogma volta a incomodar em Berlim

Folha de S.Paulo, segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Com o longa “Submarino”, cineasta dinamarquês Thomas Vinterberg, um dos criadores do movimento, recobra a forma

Rodado em 16 mm e politicamente incorreto, filme busca contar história de maneira realista, “sem maneirismos ou espertezas”

CRISTINA FIBE
ENVIADA ESPECIAL A BERLIM

 
E eis que, competindo com filmes como “The Ghost Writer”, de Roman Polanski e “A Ilha do Medo”, de Martin Scorsese, um diretor dinamarquês respeitado, mas bem menos famoso, deixou a plateia sem reação – no bom sentido- com um filme sem truques.
“Submarino”, de Thomas Vinterberg, fundador do Dogma ao lado de Lars Von Trier, respeita os preceitos do movimento de 1995, por um cinema mais realista e menos preocupado com as bilheterias. Rodado em 16 mm (película mais barata do que a usual, 35 mm), o longa teve “orçamento apertado”, segundo o diretor, que diz ter feito “o possível para contar a história sem maneirismos, sem espertezas”. “Fizemos tudo, com muitas restrições, para o resultado ser o mais puro.”
Para os críticos, “Submarino” representa a volta à forma de Vinterberg, que não impressionava tanto desde “Festa de Família” (1998), premiado em Cannes. Em coletiva anteontem, o diretor, afastado dos grandes festivais desde então, se irritou com a afirmação de que “Submarino” pode ser a sua próxima grande obra depois de “Festa…”.
“Não é minha história, mas sei que é a história que contarão de mim. Nunca estive fora. Talvez vocês [jornalistas] estivessem. Não é minha volta, porque nunca parei”, afirmou, subindo o tom e aplaudido por repórteres. Muitos deles, antes de fazer algumas poucas perguntas, rasgavam elogios ao drama sobre dois irmãos.
“Submarino”, baseado em livro de Jonas T. Bengtsson, abre com o choro de um bebê, assistido apenas por duas expressivas crianças, enquanto a mãe dos três está mais preocupada em achar a garrafa de vermute.
Politicamente incorreto e com excelente direção de atores, o filme coloca os meninos para fumar, beber, apanhar da mãe e, ainda na primeira parte, ver o irmão pequeno morrer por falta de quem o olhasse. O trauma desenhado no início marca o resto da trajetória dos dois protagonistas.
No segundo ato, o mais velho tenta refazer a vida depois de levar um fora e passar um tempo encarcerado. Na terceira parte, é hora de vermos quão ruim ficou a vida do mais novo, viciado em heroína e pai, sozinho, de um menino.
Os irmãos não conseguem conviver um com o outro, mas se reencontram para a quarta e última parte do filme. Sem estragar o final, não é difícil imaginar que um roteiro como esse não seja feito para que o espectador deixe o cinema feliz.

Trierices

Ter, 16 de fevereiro de 2010 – 16h45

Lars Von Trier desafia Martin Scorsese a refilmar “Taxi Driver”

Scorsese confirma que pretende retomar a parceria com Deniro, mas não diz se o projeto será “Taxi Driver”.

 Leonardo Heffer

cinemacomrapadura.com.br

 
Durante o festival de cinema de Berlim, o diretor Lars Von Trier (“Anticristo”) desafiou Martin Scorsese (“Os Infiltrados”) a fazer uma refilmagem (ou continuação) de “Taxi Driver”,  sucesso da década de 70. A informação foi divulgada pela revista de cinema Ekko, com base em Copenhagen.
A história não foi confirmada ainda e há duas versões. A primeira, relatada pelo site Collider, informa que tudo não passa apenas de um desafio feito por Trier a Scorsese, do mesmo tipo que o diretor já fez a outro cineasta: Jørgen Leth. A ideia era que este dirigisse novamente o curta “The Perfect Human” e toda vez que o desafio era proposto, as condições restritas e dificuldades aumentavam.
Já o jornal britânico The Guardian informa que há a intenção de Scorsese e De Niro de fazerem o filme e com Trier na direção. Só não há informações se seria uma refilmagem ou continuação do primeiro. Mas uma certeza foi dada: o papel do taxista seria reprisado por De Niro.
Para o jornal, Scorsese teria confirmado que o diretor e o ator pretendem voltar a parceria. “Bob [De Niro] e eu pretendemos sim voltar a fazer filmes juntos. E com certeza o tema seria envolvendo alo que está acontecendo no mundo agora. Na verdade estamos trabalhando nisso agora. E é sobre um homem olhando para seu passado e repensando o seu ponto de vista quando mais novo”, informou Scorsese.  A parceria entre Scorsese e De Niro começou ainda em 1973 com o filme “Mean Streets” e seguiu até “Cassino” em 1995, ao lado de Sharon Stone.
“Taxi Driver” chegou aos cinemas norte-americanos em 1976, com Robert De Niro na pele de um veterano de guerra que volta de combate para se tornar taxista em Nova York a noite e começa a criar repúdio pela miséria, pobreza e prostituição que o cercam. O filme causou polêmica na época do lançamento.

Um encontro misterioso

Luiz Carlos Merten

BASTIDORES: Estão sendo feitas 1.001 especulações sobre o mais anunciado dos encontros secretos aqui na Berlinale. Domingo, encontraram-se Martin Scorsese e Lars Von Trier, que abomina os voos de avião e veio de carro da Dinamarca somente para se encontrar com o diretor de A Ilha do Medo. Sobre o que conversaram? Nove entre dez jornalistas arriscam suas versões.
Embora seu produtor desminta o fato, Lars Von Trier teria se encontrado com Scorsese para discutir com ele um projeto do seu coração. Lars quer fazer o remake de Taxi Driver. Numa entrevista para a Inglaterra, no ano passado, Lars Von Trier também anunciou que gostaria de fazer uma série sobre os filmes que lhe deram vontade de ser cineasta. Um deles, que citou, era exatamente Taxi Driver.

Portal Terra

Rumores apontam parceria entre Scorsese, De Niro e Lars von Trier

15 de fevereiro de 2010 19h54
Lars Von Trier em Cannes 2009 Foto: Getty Images
Von Trier: parceria com Scorsese e De Niro traria releitura de ‘Taxi Driver’
Foto: Getty Images

De acordo com o site da Variety e os burburinhos do Festival de Berlim, os diretores Martin Scorsese e Lars von Trier podem se unir ao ator Robert De Niro para uma colaboração em conjunto.

O projeto seria uma combinação de As Cinco Obstruções (2003), documentário que mistura animação com cenas reais, dirigido em parceria do dinamarquês com seu conterrâneo Jorgen Leth e o clássico longa Taxi Driver (1976), uma das mais bem-sucedidas parcerias de De Niro e Scorsese.

De acordo com um jornal dinamarquês, Peter Aalbaeck Jensen, produtor executivo de von Trier, teria informado que nada pode ser confirmado, porém explicou que tudo seria esclarecido em breve. A declaração de Jensen só aumentou as expectativas, especialmente quando outro jornal do país confirmou a parceria.

No momento, Scorsese está no Festival de Berlim, onde apresenta seu mais recente longa Ilha do Medo e von Trier está em Copenhagen em reuniões referentes a seu próximo filme Melancholia.

Durante o final de semana em Berlim, Scorsese não mencionou a parceria com von Trier nem os rumores de que estaria envolvido na adaptação em 3D do livro The Invention of Hugo Cabret, Brian Selznick.

Quarta-Feira, 17 de Fevereiro de 2010

Penélope Cruz vai protagonizar filme de Von Trier

AE – Agencia Estado

SÃO PAULO – Depois de ter sido cotada para a continuação “Piratas do Caribe 4”, a atriz espanhola Penélope Cruz foi confirmada como a protagonista do próximo filme do diretor dinamarquês Lars Von Trier (famoso por “Anticristo” e “Dogville”).
De acordo com o site Slash Film, o cineasta escreveu o roteiro da ficção científica ?Melancholia? pensando em Penélope para o papel. O filme deve estrear apenas em 2011, e Von Trier já adiantou que a trama não terá “nada de final feliz”.

 

Portal Terra

Após causar polêmica e contradição em seu mais recente filme Anticristo, Lars Von Trier pode ter a vencedora do Oscar Penélope Cruz em seu próximo filme.
De acordo com veículos da Espanha e da Suécia, o papel de Melancolia foi escrito pelo diretor especialmente para a atriz espanhola.
O filme-catástrofe trará pitadas de ficção científica e seu título remete ao Planeta Melancholia, que se aproxima da Terra. Com baixo orçamento (cerca de US$ 7 milhões), Von Trier promete, antes de tudo, um filme sem final feliz.
As filmagens de Melancolia começam este ano, na Europa, com possível estreia no Festival de Cannes de 2011.

Lars

Para quem se interessar, inclui até a série “O Reino”, curtas e aquela experiência conjunta com o Jorgen Leth que passou no “È tudo verdade”.

filmografia Lars Von Trier

top ten 2009

Vamos à minha lista, pela ordem. Exceto por “anticristo” e “paris”, os demais foram comentados neste ou no outro blog. Para anticristo aguardo a publicação, por parte dos companheiros mais organizados, de uma síntese de nossos debates travados via  e-mail. Paris entra mais por uma questão pessoal, marcou meu retorno ao encantamento com o cinema. Bastardos Inglórios, por outro lado, não entrou, também por uma questão pessoal de quebra de expectativas, certamente mereceria um lugar entre os dez melhores, mas não entre os dez mais significativos para mim. A reparar que dos cinco melhores, 100% têm a Alemanha como país ou um dos países produtores. Só na hora de listá-los aqui percebi o fenômeno.

1- AnticristoAntichrist. Dinamarca/ Alemanha/ França/ Suécia/ Itália/Polônia, 2009.  Direção: Lars von Trier.

2-  A OndaDie Welle. Alemanha, 2008. Direção: Dennis Gansel.

3- A Fita Branca – (DAS WEISSE BAND) – 2009 – Áustria, Alemanha, França, Itália. Direção: Michael Haneke

4- Os DispensáveisDie Entbehrlichen. Alemanha, 2009. Direção: Andreas Arnstedt

5- O ArquitetoDer Architekt. Alemanha, 2009. Direção: Ina Weisse

6- Samson & DelilahSamson & Delilah. Austrália, 2009. Direção: Warwick Thornton

7- Uma Solução RacionalDet Enda Rationella. Suécia, Finlândia, Alemanha, Itália, 2009. Direção: Jörgen Bergmark

8- 35 doses de rum35 Shots of Rum. França, 2008. Direção: Claire Denis

9- Eu matei minha mãeJ’Ai Tué Ma Mère. Canadá, 2009. Direção: Xavier Dolan

10- Paris – Paris – França, 2008 – Direção: Cédric Klapisch

Os meus melhores de 2009

A lista acabou se estendendo a 15 títulos, já que, após a pesquisa e coleta de tudo o que mais me agradou ao longo do ano, tive dificuldade de enxugar a seleção. Como ando vacilando muito, e isso já faz tempo, perdi um monte de candidatos ao rol. Em todo caso, ficamos assim:

ANTICRISTO

Antichrist. Dinamarca/ Alemanha/ França/ Suécia/ Itália/Polônia, 2009.  Direção: Lars von Trier. Com: Willem Dafoe, Charlotte Gainsbourg. 104min.

Mais do que o filme do ano, um dos mais marcantes da minha vida. Com a devida autorização dos nobres autores, publico noutra ocasião a íntegra da longa discussão que tiveram sobre ele.

 

SIMPLESMENTE FELIZ

Happy-Go-Lucky. Reino Unido, 2008. Direção: Mike Leigh. Com: Sally Hawkins, Alexis Zegerman, Eddie Marsan. 118min.

A felicidade militante. Como fazer um filme em que um olhar conscientemente otimista sobre o mundo ganha encanto e força propriamente política, sem paralelo com qualquer pollyanice babaca. O contraste do Mike Leigh com seu compatriota e ideologicamente vizinho Ken Loach fica para mim cada vez mais acentuado. Ainda assim, creio que se o papel da protagonista tivesse se deixado a cargo de alguém com carisma e talento um pouco inferiores ao dessa Sally Hawkins – a atuação da moça é um espanto – o filme poderia ter se aproximado, desafortunada e involuntariamente, dos derivados da água com açúcar. Não é, nem de longe, o caso.

 

ENTRE OS MUROS DA ESCOLA

Entre Les Murs. França, 2008. Direção: Laurent Cantet. Com: François Bégaudeau, Nassim Amrabt e Laura Baquela. 128min.

Torço para que todos tenham visto esse. Da concepção ao argumento, da realização à trama farta de motivos para reflexão, simplesmente notável. Radiografia não só do sistema educacional como de toda a arquitetura do falido multiculturalismo francês – ou, por extensão, de qualquer outra procedência – num mundo de exclusão social irreversível.

 

O PRIMATA

Apan. Suécia, 2009. Direção: Jesper Ganslandt. Com Olle Sarri. 81min.

Vide nosso blog da Mostra (http://mostra07.blogspot.com/).

 

VALSA COM BASHIR

Vals im Bashir. Israel/França/Alemanha, 2008. Direção: Ari Folman. 87min.

A técnica de animação empregada, sei lá como se chama, produz um efeito estético espetacular. Fora isso, é uma viagem pelo mundo do inconsciente perturbado do ex-soldado e diretor. Confesso que, em algum momento, deixei de acompanhar os debates sobre o filme. Seja lá para onde tenha se direcionado, continuo defendendo que, a exemplo do personagem central, precisam de psicoterapia os que vêem na obra uma defesa do sionismo.

 

AMREEKA

Amreeka. EUA/Canadá/Kwait, 2009. Direção: Cherien Dabis. Com: Nisreen Faour, Melkar Mouallem, Hiam Abbass. 96min.

Vide nosso blog da Mostra.

 

EU MATEI MINHA MÃE

J’Ai Tué Ma Mère. Canadá, 2009. Direção: Xavier Dolan. Com: Xavier Dolan, Anne Dorval, Suzanne Clement, François Arnaud. 100min.

Vide nosso blog da Mostra.

 

UMA SOLUÇÃO RACIONAL

Det Enda Rationella. Suécia, Finlândia, Alemanha, Itália, 2009. Direção: Jörgen Bergmark. Com: Rolf Lassgård, Pernilla August, Stina Ekblad, Claes Ljungmark. 90min. 

Vide nosso blog da Mostra.

 

SAMSON & DELILAH

Samson & Delilah. Austrália, 2009. Direção: Warwick Thornton. Com: Rowan McNamara, Marissa Gibson, Mitjili Gibson, Scott Thornton. 101min.

Vide nosso blog da Mostra.

 

35 DOSES DE RUM

35 Shots of Rum. França, 2008. Direção: Claire Denis. Com: Alex Descas, Mati Diop, Grégoire Colin, Nicole Dogue, Julieth Mars. 100min.

Vide nosso blog da Mostra.

 

BASTARDOS INGLÓRIOS

Inglourious Basterds. EUA/Alemanha, 2009. Direção: Quentin Tarantino. Com: Brad Pitt, Christoph Waltz. 153min.

Vide post anterior.

A ONDA

Die Welle. Alemanha, 2008. Direção: Dennis Gansel. Com: Jürgen Vogel, Christiane Paul, Frederick Lau. 107min.

Assustador. Aula de sociologia de massas para quem acredita que fantasmas do passado não podem voltar a puxar nossos pezinhos.

 

OS DISPENSÁVEIS

Die Entbehrlichen. Alemanha, 2009. Direção: Andreas Arnstedt. Com: Andrè Hennicke, Steffi Kühnert, Mathieu Carrière. 110min.

Vide nosso blog da Mostra.

 

O ARQUITETO

Der Architekt. Alemanha, 2009. Direção: Ina Weisse. Com: Josef Bierbichler, Hilde Van Mieghe, Sandra Hüller, Matthias Schweighöfe, Sophie Rois. 93min.

Esse não foi comentado no outro blog. Exceto o Júnior e eu, creio que mais ninguém da turma o viu na Mostra. Acabei ficando surpreso ao reparar que o diretor e corroteirista do filme pertence ao gênero fêmeo (aliás, notem aí, logo abaixo, que o exemplar não integra a ala mais feinha da categoria). Todavia, o impacto do espanto diminui substancialmente quando me dou conta de já se andam fabricando mulheres responsáveis por obras cinematográficas acessíveis, sem contra-indicações, a pessoas diabéticas (bom, existe a Lucrecia Martel, pelo menos).

O Arquiteto vem a ser o longa de estréia da ultrajovem diretora (nasceu apenas 31 dias antes de mim), berlinense formada em filosofia e até então atriz. É muito, muito interessante. Numa cidadezinha alemã no meio da neve e do nada, reúnem-se pessoas, histórias, tempos e gerações relacionados e simultaneamente desencontrados entre si. Achei fantásticas certas sequências em que a diretora consegue dar ilustração cenográfica a essa incongruência: gente entrando e saindo do bar local, ou de suas casas, cruzando-se e distanciando-se em trajetos paradoxalmente incongruentes na sua proximidade.

 

 

ZERO

Zero. Polônia, 2009. Direção: Pawel Borowski. Com: Robert Wieckiewicz, Marian Dziedziel, Agnieszka Podsiadlik, Andrzej Mastalerz. 110min.

Esse aqui não entrou apenas para completar a lista dos quinze. É uma produção fascinante, que administra um cast de trocentos personagens cujas histórias se relacionam por efeito dominó. O roteiro, como necessário em casos do tipo, é engenhoso, e o conjunto do filme, bastante agradável.

retrospectiva 2009 – 10

Anticristo (Antichrist) – Dinamarca, Alemanha, França, Suécia, Itália, Polônia – 2009
Lars Von Trier
A Cecília Meireles viu o filme. E depois escreveu o Mar Absoluto.
http://www.imdb.com/title/tt0870984/