Ó do MUNDO

Curitiba esse lugar nenhum entre todos os lugares que conheço
que desconheço cada rua cada parque cada casa cada loja cada esquina
e reconheço uma lembrança que invento parecida com as coisas
que vivi na minha vila distante seiscentos quilômetros dali
lembrando da criança que fui no tempo antigo um buraco negro
da memória.
província ou modelo da perfeita organização e do bom planejamento?
meus meninos ali crescendo uma outra infância indiferente a tudo que fui e sou
outro mundo quase falamos outra língua!
ainda assim somos felizes no encontro e na saudade que resta do desencontro.
é outra encarnação encará-la cidade quando desço a Rua Quinze ou cruzo
a Amintas e a Ubaldino a casa solar do vampiro esquina mais noturna que conheci.
percorrê-la cidade dos seus cantos mais distantes ao centro. pérfido encanto.
tantos jardins há tanta grama verde e pinheiros e pinheiros e pinheiros e pinheiros
parece que só pinheiros. só. caminhando entre pinheiros.
atravessar seu miolo tão pétreo tão solene onde marcham fúnebres seus habitantes.
assustado cara a cara com a estátua do Barão do Rio Branco.
escondido no beco atrás da
igreja matriz. um piá merdoso.
Curitiba tão real. tão fictícia.
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