O Acadêmico

Um professor afamado,

catedrático, especialista,

em seu clã, referência?

Nos corredores é cola gasta

de pouca aderência.

Doutor de quê?

Um homem viajado.

Vive seus dias, injuriado,

escoltado daquilo que tem.

Tem seus livros, seus ditames,

sua fala garbosa, soberba.

Inspira a todos os que o ouvem?

Alardeia desconfiança também.

Entre inimigos distintos,

todos doutos e quantos

e da mesma irmandade,

difama, calunia, desdenha.

Gasta o que ganha

daquilo que resenha.

Fala pelos cotovelos.

Reverbera saberes acumulados:

Seu conhecimento em novelos

há muito embaraçados!

Namora o tecnicismo,

o movimento cínico

das máquinas,

o dinheiro contado,

certeiro, nominal,

o acerto de contas

da campanha eleitoral.

Na academia tem seus pares,

todos iguais aqui e ali,

regurgitando regras e tradições

e aguardam a privatização

da velha instituição.

Enfim aposentado…

Salário, vinho, queijos.

– Paris, eu sempre te quis!

– Inspirada revolução!

– Depois de cinquenta anos, nada aconteceu…

– Só piorou… Deu no que deu!

Resta a saudade

da mocidade,

do “Manifesto” guardado

no fundo da gaveta,

amarelado…

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