SINALEIRO INSTANTE

Para Ferréz e Drummond

 

SONHO. O menino – Na faixa de pedestres, entre tochas, malabares e pululantes laranjas, ele carrega sua caixa de balas. Sirene e outros ruídos ensurdecem uma tarde sépia. O homem – Observa a luz vermelha e deseja; terminar mais um dia empregado, em paz, esquecer, sumir, viajar, viver, alimentar esperanças, enquanto existirem as últimas horas de um domingo que ainda não chegou. PENSAMENTO. O menino, distraído – O padrasto, o bar, a garrafa, a(s) dose(s), o barraco, o bairro, a falta d’água, os nóia, o corre, a pressão, a aula vaga ou a escola lacrada, a mãe na batalha, só. O homem – A pasta de documentos, rádio ligado, a estação de notícias, as reuniões “blablablá”, a “guilhotinesca” ligação do chefe, a prestação atrasada da casa, cartas da Serasa, conserto do vazamento, as contas prá pagar, o trânsito louco ou normal de sexta-feira, tudo. REALIDADE. Eles – No cruzamento, sinal verde, aceleração, o olhar sem reação, cada um, o seu caminho, a sua cruz, cada um, então.

 

Altamiro Cirino

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