Chelsea Hotel

chelsea hotel n.2
leonard cohen

eu lembro bem de você no hotel Chelsea,
você falava tão corajosa e tão doce,
me chupando na cama desfeita,
enquanto as limusines esperavam na rua.

estas foram as razões e lá era Nova Iorque,
estávamos atrás do dinheiro e da carne
e isso foi chamado amor pelos compositores
provavelmente ainda é para os que restaram

ah, mas você foi embora, não é babe,
você simplesmente virou as costas na multidão,
você foi embora, eu nunca ouvi você dizer
preciso de você, não preciso de você,
preciso de você, não preciso de você
e toda essa baboseira.

eu lembro bem de você no hotel Chelsea,
nós éramos famosos, seu coração uma lenda.
você me disse de novo que preferia homens bonitos
mas que para mim faria uma exceção.
e cerrando o punho para aqueles como nós,
oprimidos pelas formas da beleza,
você parou e disse “bem, deixa pra lá,
nós somos feios mas nós temos a música.”

e então você foi embora, não é babe…

não pretendo sugerir que eu te amei “the best”,
não posso ficar de olho em todo sabiá caído.
eu lembro bem de você no hotel Chelsea,
e isso é tudo, eu nem penso tanto assim em você.

(trad. celi)

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2 pensamentos sobre “Chelsea Hotel

  1. Crise põe “paraíso” de artistas à venda

    Divergências e custos levam sócios a abrir mão do hotel Chelsea, famoso pela generosidade com celebridades

    Alguns dos hóspedes do estabelecimento, que foi fundado em 1905, devem mais de US$ 10 mil

    CRISTINA FIBE
    DE NOVA YORK

    A crise bateu à porta do hotel Chelsea, o “paraíso” dos artistas em Nova York. Os proprietários anunciaram, na semana passada, que ele está à venda.
    Os 15 sócios decidiram abrir mão do prédio, construído em 1883, depois de concluir que a sua necessária renovação seria trabalhosa e custosa demais.
    Segundo o “Wall Street Journal”, além dos milhões de dólares em investimentos que a estrutura exige, as divergências entre as famílias que dividem o controle da propriedade há mais de 65 anos contribuíram para a tomada dessa decisão.
    Apesar de afirmarem que os novos (e ainda desconhecidos) donos deverão manter as características do estabelecimento, os proprietários contam com o fim das facilidades de pagamento dadas a artistas.
    “A maneira como queremos administrar o hotel não é necessariamente a mesma como o mundo dos negócios funciona”, afirmou Paul Brounstein, um dos sócios, ao jornal americano.

    GENEROSIDADE
    O hotel Chelsea, que funciona desde 1905 na rua 23, entre as avenidas Sétima e Oitava, tem 125 quartos de hóspedes e cerca de cem apartamentos para locação. As diárias não saem por menos de US$ 150 (ou R$ 250).
    Em 2007, uma empresa chegou a ser contratada para administrar a propriedade, substituindo Stanley Bard, cuja família ficara à frente do Chelsea por seis décadas.
    A firma tentou regularizar a situação dos moradores, alguns com dívidas de mais de US$ 10 mil (R$ 17 mil), mas foi removida da administração no ano seguinte. Desde então, o hotel retomou a generosidade com os clientes artistas.
    Ainda assim, dizem os proprietários, o Chelsea continuou lucrativo, mesmo durante a crise econômica da qual os Estados Unidos ainda não se recuperou.

  2. OPINIÃO

    Pocilga era infestada por pulgas e toda sorte de degenerados

    ANDRÉ BARCINSKI
    CRÍTICO DA FOLHA

    No fim dos anos 1990, Dee Dee Ramone, ex-baixista dos Ramones, estava morando no hotel Chelsea. Visitei-o diversas vezes no local, por conta de um projeto que acabou morrendo com o próprio Dee Dee, em 2002.
    Dee Dee estava lá escrevendo um romance, “Chelsea Horror Hotel” (hotel Chelsea dos horrores).
    O livro é um pesadelo lisérgico: Dee Dee é atormentado pelos fantasmas de Johnny Thunders e Sid Vicious no hotel infestado de satanistas, assassinos seriais e toda sorte de degenerados.
    Não é nenhuma obra-prima, mas dá uma boa ideia do imaginário inspirado pelo local -e, claro, do estado mental de Dee Dee Ramone.
    A verdade é que o Chelsea era uma pocilga. Sujo, com quartos cheirando a mofo e o “staff” mais grosseiro do planeta. Mas os turistas adoravam. Todos queriam o quarto número cem, “onde Sid matou Nancy”.
    Mas não havia mais quarto cem desde a morte de Nancy, em 1978.
    Em sua autobiografia, o crítico musical inglês Nick Kent descreve assim sua visita ao hotel, em 1973: “O lugar era um antro de pulgas, com baratas visíveis em todos os carpetes, lençóis sujos e colchões rasgados”.
    Não importava. O Chelsea era um marco. Mark Twain, Arthur C. Clarke, Arthur Miller, Simone de Beauvoir e William Burroughs estiveram por lá; Kerouac, Ginsberg e os beats também. Dylan Thomas viveu e morreu lá -sofreu um colapso no quarto 205 e sucumbiu no hospital.
    Leonard Cohen morou no hotel -e gravou “Chelsea Hotel #2”, sobre uma noite ardente com Janis Joplin; Andy Warhol usou o Chelsea de quartel-general de sua trupe; Bob Dylan citou o local em “Sara”, e Joni Mitchell gravou “Chelsea Morning”, música que inspirou Bill Clinton a batizar sua filha.
    Enfim, o Chelsea foi o epicentro da vida cultural e boêmia de Nova York. A exemplo de outro histórico antro de depravação nova-iorquino, o clube CBGB’s, fechado em 2006, merecia melhor sorte.

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