Indie 2010

Isso aqui parece muito bacana. Dentre o significativo número de contemporaneidades cinematográficas, haverá uma extensa mostra dedicada a um aparentemente badalado diretor japonês de sobrenome famoso (mas parentesco falso), e outra que apresentará alguns títulos daquele tailandês chato e de nome impronunciável: sim, falo do autor do insuportável “Mal dos Trópicos”, sujeito a quem pretendo dar uma nova chance, a fim de entender por que é tão amado pelos entendidos (embolsou mais um prêmio em Cannes, agora a Palma de Ouro da última edição). De quebra, a oportunidade de apreciar as novas produções de Todd Solondz e Claire Denis (“35 doses de Rum”). Tudo de graça, no Cinesesc. Eu, como sempre, já arquitetei uma extensíssima programação. (E olha que dessa vez vou cumpri-la.)

 

O melhor do cinema contemporâneo na mostra Indie 2010


Cena do filme Futuro Brilhante, do diretor Kiyoshi Kurosawa, que está na programação da mostra

O CineSESC apresenta de 16 a 30/9 a mostra Indie 2010, que reúne 70 filmes de 12 países, trazendo ao público grandes nomes do cinema contemporâneo.

Indie quer dizer independente. Pelo quarto ano em São Paulo, a atividade conta com 58 sessões, em que são exibidos 49 longas e 21 curtas. A mostra aconteceu pela primeira vez em Belo Horizonte e chega a sua 10ª edição, reafirmando que indie não é somente uma definição econômica de produção, mas sim, uma representação do que há de mais interessante, vivo e instigante no cinema contemporâneo internacional.

Kiyoshi Kurosawa e Apichatpong Weerasethakul são os destaques das duas grandes retrospectivas que o Indie 2010 apresenta. A mostra dá ao público a oportunidade de assistir a uma das maiores retrospectivas da obra do diretor japonês Kurosawa, com a exibição de 22 filmes. Já o premiado diretor tailândes Weerasethakul tem sua trajetória profissional apresentada com a projeção de 5 longas e uma seleção com 20 curtas, programada e selecionada pelo próprio cineasta.

A mostra mundial do Indie 2010, dedicada aos recentes lançamentos do cinema internacional, traz a estreia em São Paulo dos filmes Hahaha, de Hong Sang-Soo, A vida durante a guerra, de Todd Solondz, Orly, de Angela Schanelec, e uma nova safra de diretores americanos, como Aaron Katz, Lena Dunham e Matt McCormick.

Ainda faz parte da programação um documentário polêmico criado pela escritora Virginie Despentes, que trata o pornô feminista, além dos trabalhos de novos diretores romenos e sul-coreanos. A mostra é uma correalização de SESC SP e Zeta Filmes.

Saiba mais:
destaques da programação
site oficial da mostra

o que: Indie 2010 – mostra de cinema mundial
quando: 16 a 30/9
onde: CinesSESC I R. Augusta, 2075 – (11) 3087-0500
ingressos: Grátis

Destaques da programação

Retrospectiva Kiyoshi Kurosawa: 22 filmes (todos em 35mm). Os vários estilos e gêneros da obra de Kurosawa. Nascido em 19 de julho de 1955, em Kobe, na província de Hyogo, no Japão, Kurosawa começou a dirigir filmes independentes em 8mm quando estudava Ciências Sociais na Universidade Rikkyo. Kurosawa passou os anos seguintes aprendendo com os diretores Kazuhiko Hasegawa e Shinji Somai. Estreou comercialmente, em 1983, com o longa-metragem Guerras de Kandagawa, um legítimo pinku eiga (os pornôs leves japoneses).

A restrospectiva exibe também as séries sobre detetives e Yakuza feitas para a televisão nos anos 1990, além dos filmes que o consagraram como Cure [Prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cinema de Yokohama, 1999]; Charisma [Quinzena dos Realizadores, em Cannes 1999], Permissão para Viver [Fórum do Festival de Berlim, 1999]; Ilusões Inúteis [Mostra Internacional de Veneza, de 1999], Pulse [Prêmio da Crítica na mostra Un Certain Regard, do Festival de Cannes 2001], Futuro Brilhante [competitiva do Festival de Cannes 2003]; até Sonata de Tóquio [prêmio do júri na mostra Un Certain Regard, em Cannes 2008]. A retrospectiva tem apoio da Fundação Japão.

Retrospectiva Apichatpong Weerasethakul: 25 filmes [5 longas, 1 média-metragem, 19 curtas]. Nascido em Bangcoc, na Tailândia, em 1970, Apichatpong realiza instalações e obras conceituais. Premiado diretor de cinema, é um dos grandes expoentes do cinema mundial. Formou-se em Arquitetura no ano de 1994, pela Universidade de Khon Kaen, cidade onde seus pais médicos trabalhavam num hospital. Mas foi nos EUA que estudou cinema, no Art Institute of Chicago, concluindo seu mestrado em 1997. Em 1999, ele fundou sua produtora Kick the Machine e começou a produzir seus próprios projetos, dando apoio a outros artistas experimentais e independentes na Tailândia. Recebeu a Palmo de Ouro em Cannes 2010.

O Indie exibe seus longas: Objeto Misterioso ao Meio-Dia [2000], Eternamente Sua [premiado na mostra Um Certain Regard, Cannes, 2002], As aventuras de Iron Pussy [2003], Mal dos trópicos [prêmio do júri em Cannes 2004], e Síndromes e um século [concorrente na Mostra de Veneza 2006].

A retrospectiva traz também quatro programas de curtas, com 20 filmes, selecionados pelo diretor especialmente para o Indie. Dentre os curtas estão os seus trabalhos mais recentes: Uma carta para tio Boonmee [2009], Mobile Men [filme-segmento que faz parte do longa Stories on Human Rights, 2008] e Pessoas Luminosas [também um filme-segmento do longa O Estado do Mundo, 2007], além de outros inéditos no país.

Mostra mundial: 23 filmes, 10 países | O programa faz um mix de diretores consagrados, novos cineastas e as tendências mais recentes do cinema. Entre os consagrados: Hong Sang-Soo [com Hahaha, prêmio do júri na mostra Un Certain Regard, em Cannes 2010); Clare Denis, com seu último filme White Materia; e Todd Solondz [os personagens de Happiness, 12 anos depois, em A Vida Durante a Guerra].

Foco também para o novo cinema indie americano: Mobília mínima, prêmio de Melhor Filme de Ficção no festival americano SXSW, dirigido Lena Dunham; Alguns dias são melhores que outros, de Matt McCormick, que participou dos festivais de SXSW e Seattle; e Amor e ódio, de Bryan Poyser, que estava na competitiva do Sundance deste ano. Destaque também para o cinema romeno de Terça-feira, depois do Natal [participante da seleção oficial da mostra Un Certain Regard no Festival de Cannes] e o documentário Nós não ligamos mesmo para música, sobre a música de vanguarda feita em Tóquio. O filme participou de vários festivais tais como SXSW, BAFICI, Cinéma du réel e Singapore.

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