História do Cinema – 1960-1969: Nouvelle Vague

Houve muitas mudanças com a virada da década. Nos EUA, Kennedy; Na Europa, atitudes mais liberais quanto a sexo, moda e política transparecendo em livros, arte e filmes. No cinema, os ventos da mudança começaram a soprar na França com a Nouvelle Vague, cuja influência chegou a Hollywood.

No início dos anos 60, o Sindicato dos Escritores dos EUA entrou em greve por contratos mais justos e uma parcela dos lucros de filmes vendidos para a televisão. O Sindicato dos Atores de Cinema e Televisão exigia salário mínimo e uma parcela sobre as reexibições na TV. Conseguidas todas as reivindicações, Hollywood ficou à beira da ruína financeira.

Dadas as inseguranças e dificuldades econômicas, os estúdios logo foram adquiridos por multinacionais: a Paramount pela Gulf+Western Industries; o Universal-International Studios pela MCA; a Warner Bros. fundiu-se à empresa de TV Seven Arts; a MGM passou a investir no mercado imobiliário; e o Bank of America absorveu a United Artists através de sua subsidiária, Transamerica Corp. Apesar dos custos e dos salários altíssimos pagoas aos atores, a última continuou atraindo muitos bons produtores e diretores independentes, como Stanley Kramer, que alcançou seu maior sucesso com Deu a Louca no mundo (1963), Billy Wilder  (Se meu apartamento falasse, 1960), Norman Jewison (No calor da noite, 1967), John Sturges (Fugindo do Inferno, 1963) e Blake Edwards, que, com A pantera cor de rosa (1963), deu início à sério pastelão do incompetente Inspetor Clouseau, Peter Sellers.

O relaxamento do Código de Produção nos EUA reduziu restrições a tema, linguagem e comportamento – quase a ponto de satisfazer o público, ansioso por sexo e violência. Retratando-os de forma mais brutal e gráfica, destacam-se Os doze condenados (Robert Aldrich, 1966), Bonnie e Clyde (Arthur Penn, 1967) e Meu ódio será sua herança (Peckinpah, 1969).

Mesmo sem referência a direitos civis ou ao Vietnã, A primeira noite de um homem (1967) tornou-se símbolo da contracultura da época. Estudantes de classe média identificaram-se  com o protagonista interpretado por Dustin Hoffman e com o uso de músicas pop em vez de trilha sonora orquestral, como Mrs. Robinson, de Simon & Garfunkel.

Na virada para os anos 60, surgiu na Inglaterra um movimento (Angry Youg Men), cujos trabalhos retratavam com vigor e sinceridade a  classe operária e criticavam abertamente o otimismo do governo conservador. Tudo começou no sábado (1960), de Karel Reisz e  Um gosto de mel (1961), de Tony Richardson, foram contribuições importantes ao movimento.

Com o alto custo das gravações em Hollywood e o encolhimento físico dos estúdios, muitos reduziram a produção interna e fizeram mais filmes de alto orçamento em outros países, sobretudo no Reino Unido.

Foi então criada a série mais duradoura da história do cinema: James Bond. O primeiro, 007 contra o satânico Dr. No (1962), custou menos de US$ 1 milhão.

O faroeste italiano de Sergio Leone Por um punhado de dólares (1964), apesar do sucesso na Itália, só foi distribuído nos EUA em 1967, mas lançou uma enxurrada de faroestes “espaguete” e transformou Clint Eastwood em astro internacional, aos 37 anos. A trama saiu de Yojimbo, o guarda-costas (1961), de Akira Kurosawa, cujo Os sete samurais (1954) foi refilmado como Sete homens e um destino (1960) por John Sturges.

Talvez o maior impulso às mudanças na forma de fazer filmes se deva à Nouvelle Vague na França. Ela revitalizou o cinema francês. Jovens críticos de cinema da influente revista Cahiers du Cinéma – François Truffalt, Jean-Luc Godard, Alain Resnais, Claude Chabrol, Jacques Rivette, Eric Rohmer e Louis Malle decidiram fazer seus próprios filmes.

Dando às costas aos métodos tradicionais de filmagem, saíram às ruas com câmeras portáteis e equipes pequenas, empregando cortes secos, improviso, narrativas desconstruídas e referências literárias e de outros filmes.

Apesar da mudança radical e de visarem o público jovem e intelectual, muitos desses filmes tiveram sucesso crítico e financeiro. Foram adaptados em outros países – sobretudo Reino Unido e Tchecoslováqui – e abriram caminho para o movimento independente estadunidense.

O cinema italiano também criou moda com Federico Fellini, Luchino Visconti, Pier Paolo Pasolini, Michelangelo Antonioni e Bernardo Bertolucci. Entre os vencedores do Festival de Cannes de 1960 estavam A doce vida (1960), de Fellini, Alucinação sensual (Kagi, 1959), de Kon Ichikawa, A aventura (1959), de Antonioni, A fonte da donzela (1959), de Ingmar Bergman, e A adolescente (1960), de Luis Bunuel – todos filmes sem medo de penetrar terras inexploradas.

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