Charmosa Taberna

RELATO.

Era noite. Fazia frio. Dois cavaleiros acertaram um encontro na Charmosa Taberna às vinte horas. Era quinta-feira. Atraso corriqueiro. Impaciência passageira; o terceiro cavaleiro, lorde bárbaro dos olhos azuis penetrantes, desconhecendo o trato, chega inesperadamente. Apropriação oportuna de uma mesa. Ambiente agitado. Bebidas servidas. Falas trocadas, coisas do passado, do presente, da vida de cada um. Após alguns comentários aleatórios sobre futebol, eleições e cineastas nordestinos próximos à mesa, avista-se o cavaleiro distraído aos horários, compromissos e objetos. Puxa-se uma cadeira. Novas velhas idéias passeiam. Reflexões sobre a aproximação dos quarenta. Mais garrafas se juntam sobre a mesa. A noite agradável quer esticar-se. Abusada. “O dia seguinte é de trabalho”,  retrucam dois cavaleiros. O quarto cavaleiro atravessa o horizonte acompanhado de sua companheira amazona. Novas bebidas, outras histórias, física, astronomia, Gus Van Sant.  O encontro vai terminar. As portas da taberna começam a baixar solenemente. Os quatros cavaleiros e a amazona caminham para o automóvel estacionado em local absurdamente distante, enquanto comentam a ausência do quinto cavaleiro e sua dama. Um trovador de madeixas dreadlock, conhecido do cavaleiro lorde, pede carona. O caminho parecia seguro. Ninguém teme o “Dragão Bafômetrus”. O quarto cavaleiro e sua companheira foram deixados em sua casa. Mas, ao continuar a jornada, os demais cavaleiros foram perseguidos por um carro desgovernado, rodas travando, comendo guia. Motorista bêbado diringindo, inapropriadamente, atrás dos cavaleiros. O lorde cavaleiro, assustado, encostou seu automóvel, permitindo a passagem cambaleante do doido. Enfim, chegamos bem.

Anúncios

4 pensamentos sobre “Charmosa Taberna

  1. Uma rua

    MACÁRIO E SATAN de braços dados.

    SATAN

    Estás ébrio? Cambaleias.

    MACÁRIO

    Onde me levas?

    SATAN

    A uma orgia. Vais ler uma página da vida cheia de sangue e de vinho — que importa?

    MACÁRIO

    É aqui, não? Ouço vociferar a saturnal lá dentro.

    SATAN

    Paremos aqui. Espia nessa janela.

    MACÁRIO

    Eu vejo-os. É uma sala fumacenta. À roda da mesa estão sentados cinco homens ébrios. Os mais revolvem-se no chão. Dormem ali mulheres desgrenhadas, umas lívidas, outras vermelhas. Que noite!

    SATAN

    Que vida! não é assim? Pois bem! escuta, Macário.
    Há homens para quem essa vida é mais suave que a outra.
    O vinho é como o ópio, é o Letes do esquecimento…
    A embriaguez é como a morte. . .

    MACÁRIO

    Cala-te. Ouçamos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s