uísque

Domingo último reunimos o clã Orestes e partimos para as paragens de Mongaguá, onde minha irmã Andréa, seu marido português e prole, resolveram fincar pé e construir um lugar para chamar de seu, ainda que sem qualquer respaldo legal.  Embora Mongaguá remeta à praia, a casa fica beeemmmm longe de qualquer oceano, apesar da quantidade imensurável de água que há por todo lado, brotando da terra e formando um imenso lamaçal. É um brejo só. Lembra um tanto a aventura a que o moço Jorge quer loucamente se entregar – não há saneamento básico – água ou esgoto (inclusive porque a população local não pretende pagar), inexiste escritura dos imóveis, não chega correio ou caminhão de lixo e há uma série de animais (cães, cavalos, porcos , vacas e cabras) passeando a esmo pelas ruas. Bucólico. Meu irmão foi dirigindo meu carro e seguindo a Helena. Não sei  chegar lá sozinha, o que restringe a possibilidade de visitas… A casa está ficando bem bacana. As crianças curtiram à beça, estavam em sete, correndo pela casa, pelo quintal, na chuva, no barro, gritando. Com eles, mais três cães e dois patinhos (que a menor deles, Rebeca, recusou-se veementemente a me deixar assar porque estavam vivos e eram fofos). O dia foi bacana e o que parece cena de terror, para mim é divertido, tamanho o hábito.

O inusitado do dia saiu ali da roda de adultos, não das crianças. Vizinho à casa, há uma Clínica de Recuperação para dependentes químicos (álcool e drogas), dirigida por um padre – aquela história de por a molecada pra trabalhar na roça, longe da família que os visita eventualmente. Creio que passam meses ali, com a opção de sair, acho que a clínica é aberta, não sei ao certo. Minha irmã nos contou que ganhou um cão e o bicho, já adulto, ficou meio perdido na casa nova e enfiou-se no quintal da clínica um dia de manhã e ela, escandalosa que é,saiu gritando pelo nome do cachorro e fazendo o maior estardalhaço: – “ Uísque!!! Vem, Uísque! Aqui. Uísque!!” – É brincadeira? Os garotos tentando ficar limpos e acordam com a moça gritando uísque ?

A outra foi da Helena que entrou na casa e saiu correndo, gritando e chorando muito. A Rafa assustada foi perguntar o que aconteceu e ela nem conseguia falar. Aos poucos disse que ele havia avançado nela, que ele a atacara. –“Ele quem? Como ele era?” – “Era gordo e tinha o bico muito comprido.”. Entendemos todos quando vimos o sacana saindo da casa – um beija-flor. Não um qualquer, dentre os tantos que haviam ali. Um gordo e de bico comprido.  Houve clamores de vingança, mas optamos por dar mais uma chance ao bicho, sem  é claro, tirar o olho dele e da Helena que dava um show todo vez que ele reaparecia.

Gosto muito dessa gente e, apesar de as coisas não estarem lá essas coisas pra ninguém, foi um dia pra lembrar, tirar sarro, contar histórias. O que está dando errado a gente já sabe mesmo, né. Curtimos. Curti, descansei. Dia de mãe legal, merecido.

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