O cinema nos anos 20

A era do cinema mudo assistiu à consolidação do sistema de estúdios, que duraria até os anos 50. Nessa década, as primeiras grandes estrelas, como Garbo e Dietrich, iluminaram as telas. Mas em 1929 uma inovação tecnológica mudaria o rumo do cinema.

Na prosperidade econômica após a I guerra mundial, os magnatas do cinema Carl Laemmle, Adolph Zukor, William Fox, Louis B. Mayer, Samuel Goldwyn, Jack Warner e seus irmãos Harry, Albert e Sam passaram a dominar a indústria dos filmes.

Os estúdios começaram a vender filmes com temas e estruturas repetidos, criando os gêneros. O faroeste foi o carro-chefe nos anos 20, com total aproveitamento dos cenários californianos.

A era do cinema mudo, porém, foi o apogeu da comédia americana, que obteve grande audiência mundial, sobretudo graças ao talento de Charlie Chaplin, Harry Langdon e Stan Laurel e Oliver Hardy.

Os estúdios perceberam o valor de identificar atores com certos papéis para que o público os associasse a suas “personalidades”. Rodolfo Valentino foi um deles. Adolescente, mudara-se da Itália para os EUA em 1913 e, depois de dançar profissionalmente nos cafés de Nova York, em 1917 aventurou-se na Califórnia. Em 1921, como o herói playboy em Os quatro cavaleiros do apocalipse, tornou-se o maior latin lover das telas, a versão masculina da mulher fatal. O Sheik (1921) selou para sempre sua imagem de sedutor.

No otimismo e materialismo dos anos 20, Hollywood começou a ostentar seu glamour e a desafiar a moralidade convencional. O comportamento dos astros dentro e fora das telas fez surgir em 1921 órgão auto-regulador que tentou moldar a produção de Hollywood em uma forma “íntegra e inofensiva de entretenimento familiar”.

Os melodramas de D.W. Griffith marcaram o fim de uma era, enquanto Cecil B. DeMille fazia comédias domésticas que testavam o limite do aceitável. Seis dessas lendas morais, como Macho e fêmea (1919), traziam Gloria Swanson em vestidos extravagantes, mais injustiçada que pecadora. Erich von Stroheim explorava a sofisticação européia, reconstruindo quase toda Monte Carlo no terreno da Universal para fazer Esposas Ingênuas (1921). E na Warner Bros. destacam-se as comédias de costumes O círculo do casamento (1924) e O Leque de Lady Margarida (1925) dirigidas por Ernst Lubitsch, que admitiu ter-se inspirado em Casamento ou Luxo (1923) de Charles Chaplin.

Os bem sucedidos estúdios de Hollywood começam a importar diretores talentosos da Europa – Ernst Lubitsch e F.W. Murnau da Alemanha, Michael Curtiz da Hungria, Mauritz Stiller e Victor Sjostrom da Suécia. Chegam também novas estrelas, como a polonesa Pola Negri, primeira européia a receber tratamento hollywoodiano, e o suiço Emil Jannings, que se mudou da Alemanha para Hollywood em 1927 e foi o primeiro a conquistar duas vezes o Oscar de melhor ator, por Tentação da Carne (1927) e A última ordem (1928).

Louis B. Mayer levou a sueca Greta Gustafsson para Hollywood em 1925 com seu mentor, Mauritz Stiller, que a rebatizara Garbo, a obrigara a perder 10 Kg e criara sua aura. Mas não foi Stiller que a dirigiu em seu primeiro filme americano, Os Proscritos (1925) e, no segundo, A carne e o diabo (1926), quando em dez dias foi substituído por Clarence Brown.

Talentos locais destacaram-se igualmente em Hollywood. Lon Chaney, com suas maquiagens, ganhou a justa fama de “o homem de mil faces”. Sua interpretação do grotesco, porém, não se apoiava só na distorção externa, mas também em atuação sensível, que conferia qualidades humanas a personagens aterrorizantes, como em O corcunda de Notre Dame (1923) e O fantasma da ópera (1925).

Na Europa, após a I guerra mundial, a prosperidade da indústria do cinema na França e na Itália foi eclipsada pela importação crescente de filmes americanos. Ainda assim, a Europa continuou sua produção de alta qualidade artística, como Napoléon (Abel Gance, 1927) e O martírio de Joana d’Arc (Carl Dreyer, 1928), na França, e A caixa de Pandora (G. W. Pabst’s, 1929) e Metrópolis (Fritz Lang, 1926) na Alemanha. A greve (Sergei Eisenstein, 1924) inaugurou um dos períodos mais interessantes de experimentação e liberdade criativa da história do cinema soviético.

Com exceções notáveis como Aurora (1927) de Murnau, Sétimo Céu (1927) de Frank Borzage e A Turba (1928), de King Vidor, a produção de Hollywood não se destacou no fim da década. As condições propiciavam uma inovação radical. Em outubro de 1927, a Warner lançou O Cantor de Jazz, longa com gravações de músicas e alguns diálogos sobrepostos com sincronia labial, provocando uma corrida dos demais estúdios para adoção do mesmo processo.

A ruidosa chegada do som foi geral. No Reino Unido, o sucesso dos “falados” americanos provocou corrida por novas tecnologias. Os países começaram a exigir diálogos em suas línguas, levando à diversificação do mercado internacional. As poucas tentativas de produzir filmes multilingues não funcionaram, como o oneroso Atlantic (1929), de E.A. Dupont, gravado em inglês, francês e alemão, com três elencos diferentes.

Os roteiristas precisaram dar mais ênfase aos personagens, e os letreiristas perderam o emprego. Aos poucos, diretores e técnicos aprenderam a disfarçar o ruído das câmeras, deixar o cinegrafista livre e mobilizar microfones e equipamentos de gravação.

trechos adaptados de “A história do cinema” de Ronald Bergan (estadunidense, obviamente. Lamento a ênfase ao próprio umbigo em detrimento do resto do mundo)

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