México 70

A briga pela posse definitiva da Taça Jules Rimet apimentou ainda mais a competição. Brasil, Itália e Uruguai, os três bicampeões, ficariam com o troféu para sempre, caso o conquistassem pela terceira vez.

Além da qualidade técnica, o mundial foi marcado por inovações. O videotape (replay) foi incorporado às transmissões televisivas, que, pela primeira vez em uma copa, chegavam ao Brasil – ainda que a maioria dos aparelhos fossem em preto e branco. Apenas alguns privilegiados na sede da Embratel, em Itaboraí (RJ), e no edifício Itália paulistano puderam assistir à inédita imagem em cores. Os cartões e as substituições também foram implementados no mundial mexicano.

Como vários jogos ocorreram sob sol escaldante do meio-dia, os horários foram muito criticados. A altitude também foi usada a favor do país-sede, com a justificativa de que a bola correria mais. Para evitar que sofressem com o ar rarefeito, os jogadores deveriam chegar 20 dias antes. Os brasileiros levaram a orientação a sério e desembarcaram em terras mexicanas com um mês de antecedência.

Calor e altitude, no entanto, não espantaram o público. A média foi de 50.924 pessoas por jogo. O pontapé inicial foi dado no estádio Azteca diante de 107.160 pessoas, no empate sem gols entre os anfitriões e a União Soviética. Logo depois, 108.192 torcedores se apertaram no mesmo Azteca para ver México 1 x 0 Bélgica, ainda na primeira fase.

A média de três gols por partida, apesar de inferior à dos mundiais de 30 até 58, nunca mais foi superada. Graças principalmente ao Brasil, melhor ataque do torneio com 19 gols.

Os anfitriões fizeram uma campanha honrosa. Ficaram em segundo no Grupo 1, atrás da URSS, e foram obrigados à deixar a Cidade do México para jogar as quartas em Toluca. A mudança de ares não fez bem aos mexicanos, que foram goleados e eliminados pela Itália.

A Azurra ainda protagonizaria aquele que é considerado um dos melhores jogos da história das copas: 4 x 3 diante dos alemães, na épica semifinal – nada menos que cinco gols foram marcados na eletrizante prorrogação.

O Brasil derrubava, um por um, todos os seus fortes rivais: Tchecoslováquia, Inglaterra (que defendia o título de 66), Romênia, Peru, Uruguai e Itália. O mágico toque de bola de Pelé, Tostão e Clodoaldo, os lançamentos milimétricos de Gérson, a força de Rivelino e o faro de gol de Jairzinho enlouqueceram a torcida mexicana e encantaram o mundo. Terminados os 32 jogos, Carlos Alberto levantou a Jules Rimet pela última vez em um mundial. O troféu ficou em definitivo com o Brasil – até 1983, quando foi roubado e derretido. Hoje, a CBF guarda uma réplica, com os mesmos 1800 gramas de ouro, feita pela Fifa. É a lembrança concreta da conquista da copa de todas as copas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s