filho de peixe…

Filho é algo bastante estranho. A figura chega, ocupa o que até então era teu espaço, muda teu status – você continua filho de alguém, mas é no papel de pai/mãe que vai rebolar dali por diante. Pequenos, fofos, chatos, há deles aos montes por aí, mas , sabe-se lá porque, normalmente  quando temos os nossos tendemos a substituir  a antiga e confortável indiferença por simpatia a esses seres pequenos, pertençam a quem for e, que fique claro, desde que não entrem em confronto com os nossos, pois aí colocamos as garras de fora e partimos para o ataque, ignorando o tamanho da presa.

O Jorge outro dia comentou que se tivesse que escolher uma criança para filho, escolheria o Yan (isso porque era ele ali o objeto do nosso olhar, já que estávamos sem as nossas outras). Olhar para a criança brincando, construindo um mundo acaba sendo um exercício de se ver, de se reencontrar, ainda que através das diferenças, de lembrar o que importa.É gostoso curtir isso.

Não há como deixarmos de admirar a singularidade do moleque, uma figurinha e tanto, que nessa última viagem deu mostras de que a tal da genética de fato está ali na nossa personalidade. Não é que a figura, com aquele tamanho todo, resolveu ocupar o papel de galanteador da vez, oferecendo a camisa para eu passar sobre a poça de água, dizendo que o céu estava lindo porque ele sabia que eu gostava e assim o fez, que eu precisava comer pois estava muito magrinha (desse tamanho e já sabedor do que vai na alma feminina…), superando o pai no quesito “lorotas para seduzir”.

Agora mais do que a vocação para a conquista, o que me fez ver o Jorge no menino, com um pouco mais de excelência, foi observá-lo após a chuva – o garoto não deixa escapar uma poça de água ou lama, pisa em todas, apesar das advertências, com olhos abertos ou fechados. Realmente impressionante e de causar inveja até ao moço Jorge, notório expoente nesse tipo de façanha.

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4 pensamentos sobre “filho de peixe…

  1. Estou ficando doente de saudade do rebelde mirim, lembra do lance dos dentes de coelho, Pati? “Mãe, você tem dentes de coelho… … … mas um coelhinho lindo!”
    Ah, o Yan é sensacional, faz jus ao gosto musical ao cantar Pitty… “Ninguém merece ser só mais um bonitinho…”
    É o slogan da família: Personalidade. A gente vê por aqui.
    Os dois estão lindos nas fotos, óóóóó.
    PS: o Yan está ficando deveras parecido à mamãe, que é uma gata, por sinal, óóóó.
    Chega, tô ficando com vergonha de corujar vcs descaradamente. Mas publicar foto é golpe baixo.

  2. Quero parabenizar D. Patrícia por mais essa belíssima e, especialmente em seu último parágrafo, extremamente lúcida reflexão.

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