guaru

 

 

“Hum… Então é isso… Areia, água, areia. Cadê minha vida em slides com música de fundo? Não consigo ouvir nada, o que tem seu lado positivo, já que dado o contexto sabe se lá que merda de MPB estaria eu ouvindo agora. Putz, a última coisa que ouvi foi Betânia. Betânia cantando Roberto. Não. Estou ficando sem ar  – é tão difícil olhar o mundo e ver o que ainda existe – caralho! Sai da minha cabeça, porra! Um pouco de dignidade a um homem… Espera, sinto frio nas pernas, será que é isso o rigor mortis ? Putz, será que vão me achar ou tornar-me-ei refeição de tartarugas?  Será que  mamãe vai deixar a Mayra no apartamento? Droga. Meus CDs e DVDs e livros e caixas… Duplos putz. Que embuste. Ao invés de encarar a labuta, caçar um trampo ali da mesa do Ibotirama, reflexão sobre a vida em meio a natureza… Que merda! Suor, sal,  suor, sol, areia, mpb, ahg!!! Se aqueles dois resolvessem ao menos matar logo um ao outro… Epa, parece que ouço algo – vozes? Risadas?!? Cadê aquela água toda? Fui resgatado? Consigo ver o mar, o horizonte. Porra, será que essa história de vida após a morte tem algum fundamento e eu me fodi no meio desse aguaceiro ad eternum ? Mas de onde vem essa balbúrdia toda?  Não sinto mais frio nas pernas, agora o resto do meu corpo está enregelando em especial, ops, não!!! Não consigo segurar o calção e me equilibrar ao mesmo tempo  – começo a compreender meu amigo Junior. Estão me olhando, vejo-os e não morri. Caraca, isso significa que eles me vêem também, patético, esforçando-me ridiculamente para salvar o que me resta de dignidade, lutando por um calção que nem é o do Capitão América! Só me resta reerguer o calção, abaixar a cabeça e voltar para o guarda sol onde meu amigo Junior me espera, deslumbrado, como todos na areia, ante a visão apoteótica, talvez apocalíptica, da minha bunda. Droga. Não gosto mais de mar.”

Texto praticamente psicografado, em momento de quase morte do amigo Ramiro extraído de Cara, a natureza é vida e eu amo a vida – reflexões de Ramirão na praia  (episódio ocorrido na Praia Branca, Guarujá, dia destes)

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4 pensamentos sobre “guaru

  1. Amor, você é o máximo. Mesmo querendo sacanear todos, nunca tenho coragem para contar a verdade – nem percepção para reconhecer a realidade, muito menos capacidade para relatá-la e deixá-la para a história. Parabéns.

    PS: Mas que a cena do sujeito tentando encontrar o calção foi divertida, não há como negar.

  2. MIna doida. Eu, hein? Vivo recomendando a ela: “pára com os goró, pára (nalguns casos me recuso a obedecer às normas do novo Acordo Ortográfico) com os goró!”. Pelo visto, porém, meu conselho não tem merecido a devida atenção.
    Em todo caso, venho a público tecer duas importantes retificações na história:
    1) Eu não estava usando um calção, mas uma bermuda curta. Sem elástico, aliás.
    2) Uma vez refeito do capote provocado por aquela onda sem coração, permaneci ainda por vários minutos no mar, não obstante a sensível redução da alegria no trato com aquilo tudo.

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